II Crônicas

Capítulo: 18

1-3Josafá era dono de uma grande fortuna e muito respeitado, mas se aliou com Acabe de Israel por laços de casamento. Certo dia, ele foi visitar Acabe em Samaria. Acabe o recebeu com uma grande festa. Matou ovelhas e bois e serviu ao rei e à sua comitiva — comeram à vontade. Mas Acabe tinha um plano. Queria que Josafá o apoiasse no ataque a Ramote-Gileade. Portanto, foi direto ao assunto: “Você irá me acompanhar na luta para recapturar Ramote-Gileade?”. Josafá respondeu: “Sem dúvida. Estou com você para qualquer empreitada. As minhas tropas são as suas tropas; e os meus cavalos, os seus cavalos”.

4Mas ele fez uma ressalva: “Antes de qualquer coisa, consulte o Eterno a respeito do assunto”.

5O rei de Israel reuniu cerca de quatrocentos profetas e lançou a pergunta: “Devemos ir atacar Ramote-Gileade ou não?”

6Mas Josafá insistiu: “Há mais algum profeta do Eterno aqui, a quem possamos consultar?”

7O rei de Israel disse a Josafá: “Na verdade, há mais um. Mas não gosto dele. Ele nunca diz nada de bom a meu respeito, só prevê destruição e calamidade. É Micaías, filho de Inlá”. Josafá disse: “O rei não deve falar assim de um profeta”.

8Então, o rei de Israel ordenou a um dos seus oficiais: “Vá buscar Micaías, filho de Inlá”.

9-11Enquanto aguardavam, o rei de Israel e Josafá estavam sentados no trono, vestidos em trajes reais diante dos portões da cidade de Samaria. Todos os profetas profetizavam diante deles. Zedequias, filho de Quenaaná, havia feito um par de chifres de ferro e anunciava: “Assim diz o Eterno: ‘Com esses chifres, você ferirá os arameus até não sobrar nada!’”. Todos os profetas clamavam: “Amém! Ataque Ramote-Gileade! É vitória na certa! O Eterno a entregará em suas mãos”.

12O mensageiro que foi chamar Micaías disse ao profeta: “Todos os profetas estão apoiando o rei. É bom que você também diga ‘sim’ a ele”.

13Mas Micaías disse: “Assim como vive o Eterno, direi o que o Eterno disser”.

14Quando Micaías se apresentou, o rei perguntou ao profeta: “Então, Micaías, devemos atacar Ramote-Gileade, ou não?” Ele respondeu: “Vá em frente! É vitória na certa. O Eterno a entregará em suas mãos!”.

15O rei disse: “Quantas vezes já pedi a você que falasse apenas a verdade para mim?”.

16Micaías disse: “Então, está bem. Já que insiste, lá vai: “Vi todo o Israel espalhado sobre os montes como ovelhas sem pastor. Ouvi o Eterno dizer: ‘Esses não têm quem diga a eles o que fazer. Voltem para casa e façam o melhor que puderem por vocês mesmos”.

17O rei de Israel virou para Josafá e disse: “Você viu! Eu não disse que ele nunca fala nada de bom a meu respeito, só me dá notícia ruim?”.

18-21Micaías continuou: “Não terminei ainda. Ouça a palavra do Eterno: “Vi o Eterno em seu trono e todos os anjos do exército celestial Ao seu redor, à direita e à esquerda. O Eterno perguntou: ‘Como poderemos enganar Acabe para atacar Ramote-Gileade?’. Alguns diziam uma coisa, outros diziam outra. Até que um anjo deu um passo à frente, pôs-se diante do Eterno e disse: ‘Eu o enganarei’. O Eterno perguntou: ‘De que maneira você o enganará?’. O anjo respondeu: ‘É fácil. Farei que todos os profetas mintam’. O Eterno disse: ‘Se você acha que consegue enganá-los, vá em frente e seduza-o!’.

22“E foi o que aconteceu. O Eterno pôs um espírito mentiroso na boca de todos estes profetas. Mas foi o Eterno que decretou esta calamidade”.

23No mesmo instante, Zedequias, filho de Quenaaná, deu um murro no nariz de Micaías e disse: “Desde quando o Espírito do Eterno me abandonou e se apossou de você?”.

24Micaías disse: “Você logo saberá. Você descobrirá quando estiver apavorado, procurando um lugar para se esconder”.

25-26O rei de Israel disse: “Levem Micaías daqui! Entreguem-no a Amom, juiz da cidade, e a Joás, filho do rei, com este recado: ‘O rei mandou pôr este homem na cadeia. Ele deve ser tratado a pão e água até que eu volte em paz’”.

27Micaías disse: “Se você voltar inteiro, é porque não sou profeta do Eterno”. Disse ainda: “Quando acontecer tudo isso, ó povo, lembrem-se de quem vocês ouviram isto!”.

28-29O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, atacaram Ramote-Gileade. O rei de Israel disse a Josafá: “Use seu traje real. Eu vou me disfarçar e entrar na guerra”. E o rei de Israel entrou disfarçado na guerra.

30O rei da Síria havia ordenado aos trinta e dois comandantes dos carros de guerra: “Não se preocupem com os soldados, sejam eles fortes, sejam fracos. O alvo de vocês é o rei de Israel”.

31-32Quando os comandantes dos carros viram Josafá, disseram: “Ali está ele! O rei de lsrael!”. E foram atrás dele, mas Josafá gritou, e os comandantes perceberam que estavam perseguindo o homem errado. Desistiram de persegui-lo, porque não era o rei de Israel.

33Naquele momento, um soldado, lançou uma flecha sem alvo específico contra o exército, e ela atingiu o rei de Israel nas juntas de sua armadura. O rei disse ao condutor do carro: “Dê meia-volta! Tire-me daqui, porque estou ferido”.

34A batalha foi intensa o dia inteiro. O rei observava o combate escorado no seu carro. Ele morreu naquela noite.