Capítulo: 10
ENCONTRANDO AGULHA NUM PALHEIRO

1"Não suporto mais esta vida! Não aguento mais! Por isso, coloco tudo pra fora, sem guardar nada, toda queixa e amargura da minha alma”.

2-7Jó orou: “Vou apresentar o que está no meu coração: Deus, não me declares culpado sem permitir que eu saiba qual é a acusação. Tu mesmo me criaste e disseste que era ‘bom’, Então, por que me fazes passar por tanto sofrimento; rejeitas a quem moldaste com as próprias mãos e abençoas as maquinações do perverso? Não enxergas como nós, mortais. Será que olhas a aparência? Não estás limitado ao tempo, como nós. Tens toda a eternidade para realizar tuas obras. Então, por que tanto procuras em mim culpa e pecado, como se buscasse agulha no palheiro? Sabes que não sou culpado. Sabes também que ninguém pode me ajudar.

8-12“Tu me formaste como um vaso com tuas mãos mas agora vais me quebrar em pedacinhos? Lembras da bela obra que fizeste com o barro? Agora vais me reduzir a pó? Oh! A maravilhosa concepção: o encontro do masculino com o feminino! Que grande milagre: a pele e os ossos, o músculo e o cérebro! Tu me deste a vida — amor insondável! Acompanhaste de perto até o meu respirar.

13-17“Mas nunca me contaste esta parte da história. Nem imaginava que havia algo mais... Que, se eu desse um passo em falso, tu perceberias e não deixarias nada passar. Se sou mesmo culpado, estou perdido! Mas, se sou inocente, não é melhor — continuo perdido. No meu interior flui a amargura, estou totalmente mergulhado em aflição. Tento me defender da melhor maneira possível, mas tu és forte demais para mim — implacável como um leão à espreita — é impossível! Sempre encontras novas testemunhas contra mim. E tua ira só aumenta e se acumula sobre a minha dor.

18-22“Então, por que me fizeste nascer? Quem dera ninguém nunca tivesse me visto! Eu gostaria de jamais ter vivido, ter sido sepultado sem jamais ter respirado. Não poderia encerrar agora a discussão sobre minha vida? Poderias dar uma trégua para que possa sorrir por um momento, Antes que eu morra e seja sepultado, antes que esteja num caixão fechado, Banido, sem retorno, para a terra dos mortos, onde pela escuridão serei escondido?”.